“O que é o amor?”, questiona-se Emma.
Pergunta à mamã romântica, ao papá adepto de futebol, à avó doceira e ao avô apreciador de automóveis.
Todos lhe dão respostas diferentes. Como é que o vai encontrar?
Emma sente a cabeça a andar à roda.
Emma quer saber o que é o amor. E começa por perguntá-lo à sua amiga Anita, que logo lhe diz ser “uma coisa dos adultos”. Mãe, pai, avó e avô são de imediato inquiridos.
De cada um ganha uma resposta diferente: “É uma coisa que se abre lentamente… como as flores na Primavera”; “é uma coisa que chega sem avisar, como quando a
tua equipa marca um golo, Paf!, mesmo no último minuto do jogo; “é uma coisa fofinha e perfumada como um bolo”; “o amor? Isso aquece o coração como um motor
que arranca a todo o gás!”. Um pouco confusa, Emma continua a sua investigação, querendo saber agora de que cor é o amor, que forma tem, se é doce ou salgado,
grande ou pequeno. Davide Cali (autor do maravilhoso Eu Espero…) e Anna Laura Cantone aliam a ternura ao humor, não deixando que o tema se torne demasiado delicodoce. Dois talentos que fizeram muito bem em juntar-se aqui. O resultado é um livro encantador.
Rita Pimenta in Jornal Público
Amor a gosto
No que respeita aos sentimentos, cada um expressa-os à sua maneira. A subjectividade que imprimimos ao nosso discurso, e às manifestações do desejo e do afecto são o tema proposto pelo suíço Davide Cali no álbum O Que É o Amor?. À pergunta de Emma, a mãe, o pai,a avó e o avô respondem de maneira diferente, projectando os seus gostos. A menina, que espera ansiosa a chegada do amor, fica progressivamente mais perturbada e desconfiada porque o imagina muito complexo, juntando as informações de cada adulto. Há, a certa altura, uma frase da mãe que Emma não compreende imediatamente, mas que servirá de chave para a resolução do seu problema: não adianta esperar pelo amor à janela, ele tocar-nos-á à porta. Davide Cali materializa com humor o cliché, com a chegada, no final do álbum, de Matias. Sendo o terceiro álbum com texto do autor publicado entre nós, depois de Eu Espero (Bruaá) e Um Dia, Um Guarda-Chuva (Planeta Tangerina), é o mais divertido. Grande parte da responsabilidade pelo cómico de situação cabe às ilustrações de Anna Laura Cantone, que desfigura as personagens e os objectos acentuando um sentido de ridículo e grotesco. Também as formas contribuem para a expressividade ora tola ora indolente das personagens, e a disposição dos elementos na página dá ao leitor uma certa sensação de caos. Davide Cali volta a apostar na lógica sequencial, quase enumerativa, mas desta feita escolhendo argumentos mais lúdicos, aos quais a ilustração é bastante sensível.
Andreia Brites in revista os meus livros
